1.° de Maio. O dia maior de festa e de luta pela dignidade e valor do trabalho, universalmente assinalado desde o final do século XIX. Umas vezes mais de festa, outras mais de luta, como aconteceu este ano no nosso país, quer por causas internas, quer por causas europeias ou mundiais.
O pacote laboral do Governo mereceu forte combate: o Governo não desarma nos seus objetivos de demolir o sistema de relações coletivas de trabalho, de atacar direitos dos trabalhadores e o próprio direito do trabalho. Prepara uma intensificação da exploração, quando o acesso aos bens necessários para uma vida digna está cada dia mais difícil para a esmagadora maioria dos trabalhadores (nacionais e estrangeiros) e dos reformados.
Vai tornar-se necessário maior esclarecimento e ação contra a carestia de vida e contra os oportunistas que aproveitam o quadro inflacionista para aumentarem lucros. O aquecimento climático é um problema real e duro - tratado neste jornal no passado dia 30 -, que arrasta consigo uma imensidão de impactos que se cruzam com outros decorrentes dos movimentos migratórios e de novos estilos de vida. Há que exigir políticas ambientais e demográficas sérias.
As guerras intensificam-se perigosamente. O secretário-geral da ONU disse, na passada segunda-feira, que "pela primeira vez em décadas o número de ogivas nucleares está a aumentar" e "alguns governos estão a considerar abertamente a aquisição destas armas terríveis". Ou seja, com as instituições e o direito internacional desrespeitados e as relações internacionais geridas como negócios, as armas nucleares podem estar a caminho de ser mais um produto do mercado.
Muito do avanço científico e tecnológico e, em particular, a utilização conjugada da inteligência artificial com a digitalização e a robotização está a ser utilizado para cavar desigualdades, designadamente entre homens e mulheres, e para aumentar a exploração da grande massa de trabalhadores envolvida nos novos processos de trabalho, em vez de propiciar criatividade, realização, menor carga horária e melhores salários.
No 1.° de Maio de 1974, os portugueses deram um grande contributo para transformar um golpe militar progressista num processo revolucionário criativo. Nesse 1.º de Maio concretizaram-se expressões da liberdade do "dia inicial inteiro e limpo" (Sophia), e firmou-se o compromisso para se ir acrescentando outras dimensões da democracia inerentes à condição social em que os portugueses (nos seus diversos estratos e classes) se encontravam, designadamente aquelas que Sérgio Godinho imortalizou com sensibilidade e beleza: "A paz, o pão, habitação, saúde, educação".
Neste 1.° de Maio de 2026, os trabalhadores reclamaram essas dimensões de liberdade e que lhes pertença um pouco mais de "o que o povo produzir".