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03-08-2022        A Tarde [BR]

O início de agosto pode indicar alto verão numa metade do Globo e trágicas consequências climáticas em outra. No Brasil, considerando os incertos tempos históricos, a contagem regressiva às eleições assinala a fragilidade da democracia local. Um olhar mais atento recairá sobre triste efeméride. Os dias 6 e 8 lembram que as “rosas de Hiroshima” e Nagasaki apagaram vidas e, por meio da alta tecnologia, agrediram a ética.

A voz humana foi capaz de ordenar, braços e pernas de agir, e o poder “estratégico” corromper. Na História já não tão recente - são 77 anos do intervalo entre tais fatos e hoje - armas nucleares foram usadas para aniquilamento. Gerações souberam o significado de desaparecimento e silêncio, de consequências extremas e de dor prolongada.

Os fogos-cruzados cessaram no horror de metais distorcidos, relógios parados no Tempo, pessoas que não mais estavam. Informar e rememorar são formas de não deixar repetir. Os pêndulos que vão e vem nos chamam a pensar o futuro e revisar o passado, procurando outras condições de existências, de convivências, de compreensão das alteridades.

Na última semana de julho, António Guterres pronunciou novo alerta: “Tivemos uma sorte extraordinária” em não declarar novos conflitos nucleares. O secretário-geral da ONU não amenizou nas palavras e, na conferência sobre o Tratado Internacional de Não-Proliferação Nuclear (TNPN), pediu para avançar rumo a um mundo "livre de armas nucleares". Desde 1970, o texto pactuado entre 191 Estados-membros, almeja impedir a propagação armamentista. São necessários e urgentes “novos compromissos do não-uso de armas”, sejam nucleares ou de porte pessoal.

Em período de abertura, legalização e liberação de/para uso de armas, não podemos olvidar que o pressuposto da crítica é muito simples: armas, não importa o tipo, matam. Simples assim. Portanto, se a proliferação de armamento na vida cotidiana e por pessoas comuns ocupa discurso e comercialização, os riscos de proliferação aumentam (são mais de 13 mil nucleares) e as salvaguardas diminuem.

"Eliminar armas nucleares é a única garantia de não serem usadas", sublinhou o secretário-geral. Ou seja, não basta as potências nucleares e integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) assinarem compromisso para frear a disseminação. A boa-fé está contida, porém, não contém “estoques vazios”.

Quem dera tivéssemos mais Mademoiselles Maurices (jovem artista francesa que faz homenagem à Sadako, criança japonesa vítima da “Rosa”) com tsurus coloridos em origami, captando esperanças e circularidade de intenções, ao invés daqueles que permitem e incentivam usos de armas aniquiladoras.

O início de agosto pode indicar alto verão numa metade do Globo e trágicas consequências climáticas em outra. No Brasil, assinala Assinalar a contagem regressiva para eleições brasileiras considerando tempos históricos e experiências na corda bamba da democracia local. Entretanto, o olhar recairá sobre efeméride triste de lembrar. 6 e 8 foram dias em que “rosas de Hiroshima” e Nagasaki apagaram vidas e saltaram páginas de tecnologias, ciências e ética.

A voz humana foi capaz de ordenar. Braços e pernas de agir “estrategicamente” e mostrar poderio. Na História já não tão mais recente – são 77 anos do intervalo entre tal fato e hoje – armas nucleares foram usadas para aniquilamento. Gerações souberam o significado de desaparecimento e silêncio, de consequências extremas e prolongadas.

Os fogos-cruzados cessaram no horror de metais distorcidos, relógios parados no Tempo, pessoas que não mais estavam. Para docentes continuar a informar é uma das formas de não deixar repetir. Os pêndulos que vão e vem nos chamam a pensar o futuro e revisar o passado, procurando outras condições de existências e convivências.

Na última semana, António Guterres pronunciou novo alerta: “Tivemos uma sorte extraordinária” em não declarar novos conflitos nucleares. O secretário-geral da ONU não amenizou nas palavras e, na conferência sobre o Tratado Internacional de Não-Proliferação Nuclear (TNPN), pediu para avançar rumo a um mundo "livre de armas nucleares". Desde 1970, o texto pactuado entre 191 Estados-membros, almeja impedir a propagação armamentista. São necessários e urgentes “novos compromissos do não-uso de armas”, sejam nucleares ou de porte pessoal.

Em período de abertura de lojas de armas, debates sobre liberação de uso comum, não esqueçamos que sejam quaisquer tipos, matam. Simples assim e relatada em narrativas de uma criança: “Para que serve uma arma, mãe?”. A resposta é obvia. "Eliminar armas nucleares é a única garantia de não serem usadas", sublinhou o português. Se a proliferação de armamento na vida cotidiana e por pessoas comuns ocupa discurso e comercialização, os riscos de proliferação aumentam (já são mais de 13 mil nucleares) e as salvaguardas diminuem.

Não basta as potências nucleares e integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) assinarem compromisso para frear a disseminação. A boa-fé está contida, porém, não contém “estoques vazios”. Quem dera tivéssemos mais Mademoiselles Maurices (jovem artista francesa que faz uma homenagem à Sadako, uma criança japonesa vítima da “Rosa”) com tsurus coloridos em origami, captando esperanças e circularidade de intenções, ao invés daqueles que permitem e incentivam usos de armas aniquiladoras.


 
 
pessoas
Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti



 
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ONU    armas    antónio guterres    nuclear    Brasil