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19-09-2026        Jornal de Notícias

Neste fim de verão, o Mundo surge-nos prenhe de governações que tolhem os destinos dos povos. A mais tenebrosa origem de problemas e de sofrimento que observamos são as guerras. E o mecanismo mais universalizado que vemos utilizado por estes dias para a demolição de condições de vida das pessoas talvez seja o agravamento do custo de vida. É claro que os seus impactos são diferenciados em função da gravidade das situações em que os povos se encontram, em cada região ou país, em cada estrato ou classe social.

Luís Montenegro afirmou na passada quinta-feira, sobre a guerra no Médio Oriente, que ela "É um caminho, do ponto de vista económico e social, estúpido". Este pensamento já devia ter estado presente quando se discutiu a utilização da Base das Lajes e deve estar presente em muitas outras discussões atuais no seio da União Europeia (UE). A constatação é válida para esta guerra, como para todas as guerras. A busca da paz tem de ser sempre o caminho. Este princípio não confunde agredidos com agressores, mas exige verdade, respeito por todos os povos e culturas, interpretação dos percursos históricos, dignidade para todos os seres humanos. Não há paz sem relações internacionais dinâmicas e sem diplomacia. Irresponsavelmente a União Europeia restringiu drasticamente a sua atividade nestes dois campos. Assim, como podemos defender no plano universal os valores efetivos das culturas europeias?

O que nos aponta a "liderança" da UE neste início de novo ano político? Ainda um pouco escondida está uma colossal fatura a pagar pela guerra na Ucrânia, feita em nome da solidariedade, mas sendo de facto uma enorme parte dela o pagamento de negócios dos EUA. Aponta como imperioso o investimento na indústria de guerra, para o qual querem roubar recursos a áreas vitais do Estado social. Ficarão para trás a verdadeira indústria e áreas científicas e tecnológicas. Esta opção pode criar algum emprego, mas será à custa da perda de direitos sociais e não gerará mais bens úteis para os seres humanos.

Seguindo as políticas europeias dominantes quanto a taxas de juros e a preços de combustíveis, o nosso Governo tenta preservar o equilíbrio orçamental através da contenção da despesa e proteger o rendimento disponível com a redução pontual do IRS e umas "esmolas" nas pensões de reforma. Tais medidas apenas podem aliviar parcial e ocasionalmente a escassez de rendimentos. A sua resolução só é possível com aumento geral e significativo dos salários. Ora, melhoria consistente de salários e de direitos sociais e humanos fundamentais tornou-se matéria proibida.

Forças políticas antidemocráticas no poder ou na rampa do poder e outras que vêm do campo democrático, mas estão sem capacidade para apresentar programas de governação que respondam aos anseios justos das pessoas, podem confluir na aventura da guerra como saída para um pretenso impasse.

Lutar contra a carestia é um bom exercício pela justiça e pela paz.


 
 
pessoas
Manuel Carvalho da Silva



 
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