No passado dia 26, na Fundação Manuel António da Mota, no Porto, o CoLABOR (que coordeno) fez a apresentação pública do relatório "Emprego em Portugal". Este foi sustentado por uma metodologia diversificada, que possibilitou a contribuição de inúmeros atores (desde logo do mundo do trabalho e da academia) e fontes de informação. O relatório foi coordenado por uma equipa de investigadores do CoLABOR em parceria com quadros das empresas suas associadas. O estudo (https://eep.colabor.pt/) sustentou-se num trabalho de diagnóstico sobre questões-chave, suscetíveis de agendamento para políticas públicas e estratégias empresariais. Entretanto, coloca recomendações em cinco áreas consideradas prioritárias para a ação. Estas, constituíram a matéria central das intervenções dos convidados para a mesa redonda da apresentação pública, que aqui realço nos aspetos mais relevantes.
O mercado de trabalho português enfrenta novos desafios que pedem adaptação cuidada das políticas públicas e das estratégias empresariais. Apesar do enorme progresso que tivemos nas qualificações académicas, nas últimas décadas, subsistem desajustamentos entre as qualificações da força de trabalho e as necessidades da economia, em especial nos quadros intermédios e nas profissões industriais. Acrescento, pessoalmente, que tal como a ANESPO vem observando há hoje noutros subsetores da área social e da Administração Pública, um crescendo de desajustamentos por outras causas que não foram analisados neste debate.
O sistema de educação e formação profissional necessita de melhorar a capacidade de responder, de modo planeado e territorialmente equilibrado, a este desafio. Há um trabalho a fazer na sociedade, nas famílias e na Escola para valorização deste sistema de educação e formação, que deve ser acompanhado da valorização das profissões velhas e novas, bem como das carreiras profissionais. E, é necessário ter presente que, em muitas escolas, já são muitos os alunos familiares de imigrantes.
Há muito que a diminuição da fecundidade levou a que o crescimento da força de trabalho deixasse de ser possível apenas com as novas entradas no mercado de trabalho de jovens saídos do sistema educativo. Com a nossa demografia precisamos de imigração e de saldos migratórios positivos. Tem de haver investimento social para a inclusão dos imigrantes, num processo multifacetado e abrangente, que se não for socialmente equilibrado e positivo também será desastroso no plano económico.
O crescimento da produtividade e dos salários implica mecanismos de repartição sérios, que elevem a justiça social. Se prosseguir a expansão da economia nos setores menos produtivos, estamos condenados ao fracasso. Precisamos de investimento e de uma economia bem mais moderna que convoque qualificações.
As abordagens de cada questão chave enunciadas no relatório, estão feitas de forma sustentada e passíveis de ancorarem propostas dinâmicas. Poderão vir a desenvolver-se.