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21-03-2026        Jornal de Notícias

A normalização da inevitabilidade da guerra, que na nossa Europa vem sendo propagandeada nos últimos anos, vai-nos transportando, de mansinho, para dentro dela. Sabemos bem que, prosseguindo a escalada belicista, seremos conduzidos para patamares de guerra muito mais amplos e perigosos. Sabemos ainda que a invocação de exigências da guerra serve para impor brutais sacrifícios aos povos. Impõe-se, por isso, forte luta pelo objetivo maior da paz. Em simultâneo, há que persistir na denúncia das políticas sociais e laborais injustas, sabendo-se que o contexto de guerra serve sempre para desumanizar o trabalho e esmagar direitos humanos e sociais fundamentais.

A maioria dos países europeus, não só da União Europeia (UE), enredou-se por vontade própria ou por subserviência ao seu "aliado" norte-americano, nos grandes focos atuais da guerra. Na Ucrânia, estão prisioneiros de um acantonamento que os impede de ter autonomia estratégica para a formulação de propostas. Toleraram o massacre de Israel sobre o povo palestiniano, a sua pátria e o seu Estado, dando alento ao expansionismo do Governo israelita para encetar guerras sangrentas e assassinatos escabrosos no Irão e no Líbano, bem como ataques e outros atos destrutivos a fontes de fornecimento de gás e não só. Nestes últimos dias ficou claro que a estratégia de Trump e de Israel para o controlo do estreito de Ormuz tem associado o bloqueio ao abastecimento de gás que, a ser conseguido, atingirá fortemente os interesses europeus. Entretanto, pode ressurgir a questão da Gronelândia e outras. Como vai a Europa defender-se?

É de saudar que, até agora, a UE e outros países europeus não se tenham envolvido na "desminagem" do estreito de Ormuz. No entanto, são muitos os "altos dirigentes europeus" que manifestam uma enorme vontade de mergulhar de cabeça na escalada da guerra. Entre os nossos governantes também os vamos encontrando. E nas forças políticas e nos atores da extrema-direita e do ultraliberalismo económico, não faltam manifestações de apego ao belicismo.

Os custos humanos provocados pelas guerras agravam-se aceleradamente. Temos uma crise energética pela frente, provavelmente uma crise financeira em gestação e um Mundo cada vez mais autoritário. Nestes últimos 20 anos diminuiu o número de países com regimes democráticos e minguou a densidade da democracia na esmagadora maioria dos países. O aumento da exploração do trabalho é uma das fortes causas e consequências desta triste realidade.

Não se pode deixar enfraquecer os direitos dos trabalhadores e das suas organizações como pretende o Governo com o seu pacote laboral. O desequilíbrio daquela proposta é irreparável. O tempo que se avizinha exige que não se desperdice nenhum fator de defesa do direito ao trabalho com direitos. E, muito menos, que forças democráticas entreguem qualquer trunfo aos inimigos da democracia.

No plano político como no social e no laboral, é tempo de não amochar.


 
 
pessoas
Manuel Carvalho da Silva



 
temas
UE    guerra    crise energética