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20-09-2022        A Tarde [BR]

As democracias atuais vivem tempos intensos que revelam a necessidade em construções cotidianas e coletivas. Aos “trancos e barrancos”, o caso brasileiro renova-se e até resgata aspectos monárquicos controversos nas comemorações do bicentenário da Independência (do imperialismo, da escravidão e da subjugação de povos). Discursos radicalmente pautados em conservadorismos e outros ismos preenchem o imaginário (im)popular. Às vésperas de eleições para executivo e legislativo num país continental, as candidaturas são retratos do que somos e do que pretendemos ser. A “política de presença” seria uma opção, mas até isso é ponto polêmico (vejam o caso das cotas, por exemplo).

Nas experiências recentes, talvez essa seja a de maior exposição de mentiras e make-ups de ideias. As “avenidas para a dignidade” (Arjun Appadurai) e superações parecem OUTPUTs de projetos consistentes e preocupados com rupturas e polaridades que se avizinham. Não há pudores, nos verbos e nas promessas. Vale analisar comportamentos sociais e sinalizar as vergonhas.

Não é preciso jogar para o futuro que constrangimentos, falta de civilidade e a tentativa de “ficar inabalável por cem anos” coabitam em agendas e práticas. Na história da República, já tivemos bufões, fardados ou não, representantes eleitos, releitos, herdeiros ou biônicos. Uma das saídas pode estar logo ali, em outubro.
Palanques são montados vislumbrando um próximo pleito com danças em modo tiktok, prelações religiosas, promessas vazias e fake news. Falam os que não deveriam e professam tempos de agropop (o período colonial, parece-me, não existiu) e de tudo IN. Todavia, os INs são prefixos que rimam e estão na crítica das artes, adicionada pela coletividade artística em “hino ao inominável”, de autoria de Carlos Rennó. Gravado nos últimos dois meses por vozes representativas e cantantes de frases ditas (não inventadas). Injúrias, violências, falta de decoro, não reconhecimento de grupos vulnerabilizados que confirmam o inimaginável: um país potência transformado em vergonha de multidões. Vozes múltiplas, expressões de quem somos.

Na letra cantada, Professor Pascuale ensina o verbo concl-AMAR, impronunciável pelo líder “falador irresponsável”. A produção é certeira: é “inacreditável” seguirmos essa trilha. “Erguer de novo das ruínas o país” pode ser imaginável, induzindo mais que o título de eleitor/a. Tempos incivis chamam à arena política. Na bricolage de frases ditas publicamente, a canção-manifesto circula tópicos expressos que aterrorizam qualquer cidadã/cidadão. Ainda mais repetidas e diariamente renovadas. Escolher é também buscar informações, argumentos, provas, escutar vozes que afirmam que OUT pode ser melhor que IN.


 
 
pessoas
Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti



 
temas
democracia    Brasil    conservadorismo