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14-12-2016        Antena 1

Em Macau os grandes casinos asiáticos e norte-americanos espelham na sua arquitetura a luta económica pelo domínio do mercado global. Jorge Figueira, arquitecto e investigador no Departamento de Arquitectura e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, estuda a história e a teoria da arquitectura neste contexto.

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A arquitetura portuguesa é ainda hoje uma das últimas recordações da presença do colonialismo português em Macau, um território onde os grandes casinos asiáticos e norte-americanos espelham na sua arquitetura a luta económica entre estas duas potências pelo domínio do mercado global.
Jorge Figueira, arquiteto e investigador no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, trabalha actualmente numa publicação, em colaboração com o fotógrafo José Macedo de Carvalho, onde do ponto de vista da teoria da arquitetura e com a ajuda da fotografia se possa fazer um levantamento do contraste entre os casinos asiáticos e norte-americanos de Macau.

“Podemos testemunhar um facto arquitectónico belíssimo que é uma espécie de batalha entre os grandes casinos americanos e os casinos asiáticos, que no fundo é um espelho da globalização. O mundo americano, expresso em casinos que têm uma assinatura americana e que correspondem a narrativas muito claras, como réplicas de Veneza, de Lisboa, ou como réplicas de figuras públicas da cultura Pop. E os casinos asiáticos que têm uma abstracção e uma solução pela riqueza, e pela opulência, que são de facto diferentes dos casinos americanos.”

Ao lado desta batalha persistem ainda alguns registos arquitectónicos da passagem portuguesa por Macau.

Para Jorge Figueira, “Macau sempre foi um colonialismo muito particular, é interessante que num território onde embora o português seja uma língua oficial, na verdade nós já só vemos vestígios na toponímia das ruas”. “A arquitetura portuguesa que lá foi sendo construída cada vez mais é o principal itinerário da presença portuguesa, portanto, para um arquiteto ir a Macau tem um particular interesse, seja na zona mais portuguesa, ou na zona mais híbrida em relação com a estrutura chinesa, podemos encontrar a história que já não existe na língua falada daquele território no séc. XX”, afirma.

“Em Macau sobrevive um pouco o lado da pequena ou média estância balnear portuguesa, tem esse romantismo e essa candura, ainda se sente em Macau o lado Estoril, Póvoa de Varzim, ou Figueira da Foz, com depois um Mundo global mais delirante e mais alucinante em cima. Os investigadores portugueses têm uma sala em Macau para fazer essa leitura que outros investigadores de outras origens não terão da mesma forma.”

Em Macau é possível assistir a uma evolução da arquitetura quase em tempo real.

“Quando falamos do turismo em Lisboa, no Porto, em Barcelona ou em Veneza, estamos a falar se o turismo pode ou não matar a autenticidade de uma cidade. Em Macau vemos isso multiplicado por cem ou por mil. A presença massiva de turistas causa diariamente uma alteração profunda da matriz daquele território. A aceleração de construção, de luz, de pessoas, de espaço, de alcatifa, de candelabros, de máquinas de jogar que se vê em Macau é quase um caso de estudo. Como é que um território em dez anos pode alterar-se tão profundamente, e tão a partir da arquitetura. É uma alteração feita por edifícios, por arquitetos a monitorizar durante 24 horas o comportamento daqueles edifícios para saber se eles estão ou não a funcionar.”

Jorge Figueira vê na arquitetura a base para o sucesso de um casino: “Quando se diz, a arquitetura não interessa, o que interessa é o programa, ou o que interessa são as pessoas, no caso dos casinos, é de facto a arquitetura que interessa. Ou ela funciona e portanto produz riqueza ou então não funciona e tem que ser alterada no dia seguinte”.




 
 
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