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24-06-2019        

Religião animista instituída no Brasil pelos escravos, o candomblé nasce como forma de resistência e tem sua ritualística estruturada pela música. Barbosa destaca no artigo, “Perseguição aos Terreiros de Candomblé na Década de 1920”, que mesmo após o fim da escravidão a polícia e poder público criminalizavam o candomblé como “prática de feitiçaria e falsa medicina”.

Durante o governo de Vargas as práticas musicais dos terreiros e as crenças afro-brasileiras também foram cerceadas, justificando-se “atraso cultural”. Ironicamente, neste mesmo período houve a apropriação do samba - gênero musical que nasceu no terreiro de candomblé, mais precisamente na célula rítmica do cabila - como elemento central da ideia de “identidade nacional”.

Mesmo com toda tentativa de intimidação, o candomblé resistiu e, em 1946, por iniciativa do então deputado Jorge Amado, a liberdade religiosa foi assegurada na constituição. Apesar desta garantia legal, a perseguição ainda existe, principalmente, contra frequentadores de terreiros das regiões periféricas.

O objetivo desta apresentação é trazer uma discussão sobre contradições impostas ao candomblé, que ora é colocado na periferia como uma crença atrasada, ora ocupa o centro de uma identidade nacional unificadora. Não só o samba, mas outros gêneros de grande sucesso como baião, axé music e funk carioca tiveram sua origem no candomblé.

Além das reflexões sobre a temática, serão apresentados trechos do documentário ‘Orin: música para os Orixás’, que fornecem elementos para discussão, a exemplo da história de Iuri Passos, primeiro alabê (músico do candomblé) a se tornar mestre em etnomusicologia, pela UFBA, e idealizador do projeto social Rum Alagbê, que usa a música para transformar a vida de jovens da comunidade do Terreiros da Gantois (Salvador-BA). Em uma das cenas, Iuri expõe que pesquisadores analisam a religião sob uma perspectiva do “exotismo” e defende que “é chegado o momento da comunidade falar de si”.

 



 
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