For over two decades, the European Union has formally committed to gender mainstreaming in agricultural policy – a strategy that feminist scholars widely consider a failure. Rather than transforming structural inequalities, it has depoliticized feminist demands, reproduced gendered divisions of labour, and co-opted feminist language for neoliberal ends. Yet few studies have analysed how peasant feminist movements in Europe have politically responded to this strategy.
This lecture has focused on the Sindicato Labrego Galego (SLG), the oldest and largest Galician peasant union and a member of La Vía Campesina. The SLG represents a compelling case of a peasant feminist organization that has not simply resisted unfair policies, but actively refused (agricultural) governmentality – its gendered categories, underlying values, and logics of inclusion. Three acts of refusal were highlighted. First, the refusal of the policy category "rural woman" – associated with women's empowerment as service providers and entrepreneurs in the countryside. Second, the refusal of the imperative to grow – rejecting the assumption that small-scale farming is a weak, underproductive model to be overcome. Third, the refusal of fragmentation into siloed administrative boxes that disregard intersecting dimensions of oppression.
The SLG case shows that gender mainstreaming is not just failing. It is being actively refused by the very subjects it claims to empower. This refusal is strategic for the SLG to strengthen its resistance against structural inequalities in agri-food systems, as well as to affirm its radical political identity as labregas – peasant women and workers – and its counterhegemonic way of farming: the small-scale agri-food model already practiced by thousands of women in Galicia and across Europe. Finally, refusal enables the SLG to defend this model by building transversal solidarity across gender, race, class, and geography.
Há mais de duas décadas, a União Europeia comprometeu-se formalmente com o mainstreaming de género na política agrícola – uma estratégia que as estudiosas feministas consideram amplamente um fracasso. Em vez de transformar as desigualdades estruturais, esta estratégia despolitizou as demandas feministas, reproduziu divisões sexuais do trabalho e cooptou a linguagem feminista para fins neoliberais. No entanto, poucos estudos analisaram como os movimentos camponeses feministas na Europa responderam politicamente a esta estratégia.
Esta apresentação centrou-se no Sindicato Labrego Galego (SLG), o mais antigo e maior sindicato camponês galego e membro da La Vía Campesina. O SLG representa um caso revelador de uma organização camponesa feminista que não simplesmente resistiu a políticas injustas, mas recusou ativamente a governamentalidade (agrícola) através de três específicos atos de recusa. Primeiro, a recusa da categoria política "mulher rural" – associada ao empoderamento das mulheres como prestadoras de serviços e empresárias no meio rural. Segundo, a recusa do imperativo de crescer – rejeitando a suposição de que a agricultura de pequena escala é um modelo fraco e subprodutivo a ser superado. Terceiro, a recusa da fragmentação em caixas administrativas isoladas que desconsideram dimensões interseccionais da opressão.
O caso do SLG mostra que o mainstreaming de género está a ser ativamente recusado pelos próprios sujeitos que afirma empoderar. Esta recusa permite ao SLG fortalecer a sua resistência contra as desigualdades estruturais nos sistemas agroalimentares, bem como afirmar a sua identidade política radical como "labregas" – mulheres camponesas e trabalhadoras – e o seu modo contra-hegemónico de cultivar: o modelo agroalimentar de pequena escala já praticado por milhares de mulheres na Galiza e em toda a Europa. Por fim, permite-lhe defender este modelo através da construção de solidariedade transversal entre género, raça, classe e geografia.