A primeira apresentação investiga como a poesia amazônica mobiliza os sentidos para confrontar a violência colonial e suas persistentes heranças tais como o extrativismo e a violência epistêmica e ecológica. Partindo da leitura de poemas de Sony Ferseck (Makuxi), María Clara Sharupi (Shuar) e Anastasia Candre (Okaina-Uitoto), a palestrante propõe que as obras destas autoras elaboram um sensorium multiespécies que desafia a lógica colonial que, historicamente, reduziu culturas não ocidentais, sujeitos subalternizados e existências outras-que-humanas à condição de recursos disponíveis para exploração.
A segunda apresentação argumenta que Uyra: A retomada da floresta (Juliana Curi 2022) posiciona a comunidade trans* como permanecendo com a Amazônia, encarnando um compromisso de reimaginar as possibilidades do agora ao evitar o discurso da futuridade para “permanecer com o problema” (Haraway). O filme posiciona-se fora e para além da oposição binária entre a não-futuridade queer e o futurismo hetero-reprodutivo (Edelman). Em vez disso, Uyra re-imagina um presente queer como simultaneamente imbuído do desejo de Julio Esteban Muñoz por novas formas de ser, fazer e relacionar-se, isto é, queer como possibilidade.