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05-03-2013        Antena 1

Boaventura de Sousa Santos considera que há uma astúcia do governo em relação à redução de impostos. O sociólogo garante que não ficou surpreendido com os resultados da sondagem da Universidade Católica para a Antena1, RTP, DN e JN. Por Sandra Henriques.


Boaventura de Sousa Santos afirma que as manifestações do passado sábado em conjunto com os dados apresentados pela sondagem da Universidade Católica para a Antena1, RTP, Jornal de Notícias e Diário de Notícias “mostram que há um crescente divórcio entre os portugueses e o governo, que as prioridades do governo vão ao arrepio das prioridades dos portugueses”.

O diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra assegura que não ficou surpreendido com os resultados do barómetro e revela-se satisfeito pelo facto de os inquiridos “continuarem a ter uma grande confiança no sistema público, seja no sistema de Educação ou de Saúde”.

A redução dos impostos é apontada por 48 por cento dos inquiridos como prioridade, o que Boaventura de Sousa Santos considera ser um resultado da “astúcia do governo”.

“A curto prazo parece que os portugueses estão em desacordo com o governo. Depois daquilo que se tem chamado de escravatura fiscal, como um empresário do país recentemente designou, os portugueses querem uma redução de impostos. A curto prazo há um divórcio, mas a longo prazo para um governo de Direita esta é a grande posição [a redução dos impostos]”, sublinha.

Segundo o sociólogo, “está a preparar-se um clima para que a classe média, a prazo, queira a redução de impostos, sabendo que com isso vai haver uma degradação do Estado social”, porque “ao mesmo tempo que sobrecarrega os impostos, o Estado reduz os benefícios das classes médias onde estão muitos dos portugueses que responderam a este inquérito” e esta situação leva-os a quererem a redução de impostos.

Em declarações ao jornalista Nuno Rodrigues, Boaventura de Sousa Santos comenta ainda outros aspetos da sondagem e da situação do país. Por exemplo, o sociólogo alerta que se a “sangria” da emigração continuar “Portugal será daqui a dez ano um imenso deserto, certamente cheio de bolas Google para resorts para turistas”.

A sondagem em causa foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2013. O Universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental.

Foram obtidos 1141 inquéritos válidos, sendo que 57 por cento dos inquiridos eram do sexo feminino, 24 por cento da região Norte, 22 por cento do Centro, 39 por cento de Lisboa, 7 por cento do Alentejo e 8 por cento do Algarve.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 41,1 por cento. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1141 inquiridos é de 2,9 por cento, com um nível de confiança de 95 por cento.

 




 
 
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