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01-07-2013        

Um dos temas centrais atualmente debatidos tanto no seio da academia como na sociedade em geral é o da diversidade. Este tema está precisamente no âmago do trabalho do professor Mudimbe, que lida com alteridade, diversidade, identidade, significado das margens, diferença, com o autêntico e com o híbrido. Tanto em África como por todo o mundo, o seu trabalho tornou-se numa das principais fontes de inspiração para o desenvolvimento de um vasto campo de conhecimento no seio das humanidades, situando-se na encruzilhada entre a filosofia, a ética, a antropologia, as ciências sociais, a teoria literária, os estudos culturais e a teoria pós-colonial. Este último campo, em particular, é hoje responsável pelos esforços mais promissores e relevantes na tentativa de responder às grandes questões que se nos colocam num mundo cada vez mais globalizado. No seio dos seus interesses reside, pois, a questão do conhecimento, numa tentativa de agarrar, interpretar e compreender genealogias intelectuais e tradições de pensamento. À semelhança das análises de Saïd sobre o discurso orientalista, Mudimbe analisa a evolução dos discursos filosóficos africanos, desde o campo da antropologia filosófica ou da filosofia etnológica (com figuras chave como Lévy-Bruhl, Tempels e Kagame), até à filosofia político-ideológica (como expressa pelo movimento da negritude de Senghor ou pelas teorias marxistas e de dependência, tão populares entre intelectuais africanos e líderes políticos das décadas de 1960 e 1970), passando ainda pelo que ele denomina de filosofia crítica e reflexiva, da qual o seu próprio método, que o próprio descreve como uma ‘antropologia dinâmica’, é a melhor ilustração.

Entre os assuntos basilares sobre os quais o professor Valentim Mudimbe tem vindo a refletir ao longo de toda a sua carreira está uma preocupação com a criação de África como um objeto epistémico, e uma exploração das possibilidades de conhecimento de Si e do Outro. Como falar-se do Outro? Podem diversidade e multiplicidade existir, ou apenas existe espaço para uma diferença irredutível? Estaremos condenados a um imperialismo ontológico mal desenvolvamos um discurso sobre o Outro? Está aberta aos africanos a possibilidade de falarem sobre as suas próprias identidades, sobre as suas relações com o Ocidente, uma vez que a forma e enquadramento de tais discursos se encontram já determinadas por uma linguagem e uma tradição epistemológica originária desse Ocidente? Onde situar os limites do conhecimento, e como é gerado e transmitido esse conhecimento? Excluir-se-ão mutuamente as memórias e história de África e do Ocidente, dos colonizados e dos colonizadores, ou podem-se complementar e fortificar em complementaridade? Em que medida é a identidade uma construção e, consequentemente, múltipla? É possível viver-se simultaneamente em dois mundos, ou está-se condenado a viver no meio, com toda a solidão existencial que tal posição implica? Estas são algumas das questões sobre as quais Valentim Y. Mudimbe tem refletido ao longo do seu percurso.




 
 
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