A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional (CGTP-IN) completou 56 anos de existência, no passado dia 1 de outubro. Celebrou o seu aniversário depois de um ano de intensa ação sindical, em que assistimos a uma demonstração da necessidade da força e da ação coletivas para abordar os problemas do nosso tempo.
Em julho de 2025, foi apresentado um projeto de desmantelamento do edifício de regulação do trabalho em Portugal. No quadro de uma maioria absoluta de Direita na Assembleia da República, o Governo preparou um Pacote Laboral à medida e em conluio com essa maioria. Parecia impossível travá-lo, tanto mais que o Governo contava com o Chega para fazer as piruetas que se mostrassem necessárias para assegurar a passagem do fundamental dos conteúdos antitrabalhadores. Mas o Chega teve de roer a corda quando constatou que a maioria dos trabalhadores e da sociedade estava contra o Pacote Laboral. Foi uma grande vitória, em primeiro lugar do movimento sindical, fruto do trabalho de milhares de delegados sindicais e de ativistas de diversas profissões, bem enquadrado pela inteligência tática e sentido de responsabilidade de dirigentes da CGTP-IN, da UGT, de sindicatos independentes.
O movimento sindical foi, é e continuará a ser a trave-mestra da ação coletiva nas nossas sociedades. Há movimentos sociais importantes que é preciso vitalizar e acarinhar nas suas causas e ação, mas nenhum tem a abrangência e a transversalidade social e política que o movimento sindical possui. Pela sua natureza ele tem um campo de ação muito próprio: inerente a especificidades do trabalho. Mas não se fecha aí. Isso permite-lhe estar em condições de protagonizar ou influenciar lideranças na construção de coligações sociais vastas, tão necessárias à defesa da democracia social, económica e política. As tarefas de liderança, bem como as de federação de compromissos para construir objetivos e ação comuns, não têm de ser formais, e muitas vezes não devem mesmo ser. Essa preocupação tem emergido e é preciso tê-la presente.
No último ano, as lutas laborais vêm em crescendo no setor privado. No ensino, tem sido gratificante ver o rigor da FENPROF na informação à comunidade escolar e à sociedade sobre as desgraças da política do Governo e, por certo, vamos ter lutas muito objetivas. O mesmo se passa no setor da Saúde. Há uma melhoria qualitativa no debate sobre a habitação. E o Governo teve de, à pressa, meter na gaveta o seu plano de ataque ao Sistema da Segurança Social porque percebeu que a convergência de democratas que se formou contra o pacote laboral (incluiu muitos do PSD) também se forma nesta área.
No entanto, o que se conseguiu foi apenas travar retrocessos. A questão, agora, é como usar as lições do último ano, para que não existam regressões para compromissos podres ou estéreis e se assuma a iniciativa em todas as áreas sociais e económicas que são prementes, forçando transformações com sentido humanista e progressista.