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29-12-2018        Jornal de Notícias

O choque entre as instituições europeias e o governo italiano pode ser menos institucional e mais político. Institucionalmente a Comissão Europeia pretende que Itália respeite os compromissos orçamentais, mas mostra ambivalência para com as exigências feitas aos franceses de redistribuição, geradas pelos coletes amarelos, alimentando, assim, as tensões políticas. Politicamente as famílias partidárias tradicionais querem levar os "populistas" ao fracasso no governo.

O défice italiano foi controlado graças à negociação "institucional" feita pelos "técnicos", tais como: o primeiro-ministro Giuseppe Conte e o ministro da Economia Giovanni Tria. Mas o confronto "político" é agora centrado nas eleições europeias de maio. Para analisar brevemente este cenário deve retirar-se da análise a questão da saída do euro, que o Movimento 5 Estrelas (M5S) afastou do debate governamental.

O discurso antieuropeísta da Liga e do M5S foi convertido na procura de uma "Europa melhor", embora ambos os partidos tenham visões "institucionais" contrastantes. A Liga defende um modelo centrado na soberania dos Estados, o M5S já deu sinais mais fortes em prol do projeto comunitário, por exemplo, há dois anos na tentativa falhada de passar para o grupo pró-europeísta ALDE (liberais). Certamente ambos enfrentam o establishment "político" tradicional do PPE e do S&D, que conta com o apoio dos liberais, embora o modelo de partido pessoal proposto por Matteo Renzi (que vai criar um novo movimento) e (o presidente de França) Emmanuel Macron esteja muito fragilizado.

Caso as sondagens se confirmem, o governo italiano será de novo legitimado, dado que a Liga e o M5S receberão 59% dos votos (segundo sondagem BiDiMedia de 29 de novembro). Contudo, dependendo das percentagens de voto e do consequente equilíbrio de forças entre a Liga e o M5S, a posição em relação à Europa poderá oscilar mais a nível institucional e menos a nível político.


 
 
pessoas
Cristiano Gianolla



 
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